Se na sua casa também rola aquela queda de amor por um brinquedo só — e briga na certa quando duas crianças querem o mesmo ao mesmo tempo — essa história é para vocês. É uma leitura curta, de uns 4 minutinhos, boa para o fim da tarde ou antes de dormir, especialmente se o dia teve algum bate-boca por causa de brinquedo dividido (ou não dividido).

Crianças brincando juntas com uma bola ao ar livre

Para quem é essa história

Pensada para crianças de 3 a 6 anos, mas funciona bem também com os um pouco maiores. A ideia não é dar uma bronca disfarçada de historinha — é abrir uma porta para conversar depois, sem apontar dedo, sobre como é difícil (e possível) dividir algo que a gente quer para si.

A história de Nino e Zeca

Nino, o esquilo, e Zeca, o ouriço, eram amigos desde sempre. Moravam em árvores vizinhas na Floresta do Vale Verde e se encontravam todo santo dia depois do almoço, na clareira perto do riacho, para brincar até o sol começar a descer.

Naquela tarde, alguém tinha deixado uma bola de casca de castanha bem no meio da clareira — redonda, lisa, do tamanho perfeito para rolar entre as patas. Nino chegou primeiro e já ia pegando, quando Zeca apareceu correndo do outro lado.

— Eu vi ela primeiro! — gritou Zeca, esticando as patas curtas.

— Mas eu cheguei primeiro na clareira! — respondeu Nino, segurando a bola com força.

Os dois puxaram para lados opostos. Um pouquinho para cá, um pouquinho para lá, até que a bola escapou das patas de ambos e rolou, rolou, rolou… e caiu direto dentro do riacho, longe do alcance dos dois.

Silêncio. Nino cruzou os bracinhos. Zeca virou de costas. Nenhum dos dois disse mais nada — só ficaram ali, cada um plantado no seu canto da clareira, olhando para lados diferentes.

O silêncio que pesa mais que a briga

Sem a bola e sem o amigo por perto, a tarde de repente ficou grande demais. Nino tentou brincar sozinho de pular entre as raízes, mas não tinha a menor graça sem ninguém para contar quantas vezes ele conseguia. Do outro lado da clareira, Zeca também tentou catar avelãs sozinho, mas guardava cada uma pensando em mostrar para o amigo — só que o amigo não estava por perto para ver.

Duas crianças se abraçando depois de fazerem as pazes

Foi Zeca quem deu o primeiro passo. Devagar, ele atravessou a clareira até onde Nino estava sentado, cutucando a terra com um graveto.

— Eu não devia ter puxado a bola daquele jeito — disse Zeca, olhando para as próprias patas. — Só queria muito brincar com ela.

Nino ficou quieto por um segundo, depois soltou um suspiro que parecia estar guardado fazia tempo.

— Eu também puxei forte demais. E olha só, por causa disso a bola foi parar na água e agora nenhum de nós dois brinca com ela.

Os dois olharam para o riacho, depois um para o outro, e quase ao mesmo tempo começaram a rir — daquele jeito bobo que só acontece quando a gente percebe que brigou por algo e acabou perdendo os dois.

Uma ideia melhor que uma bola só

Foi Nino quem teve a ideia: por que não construir uma bola nova, mas dessa vez feita pelos dois juntos? Passaram o resto da tarde catando musgo macio, casca seca e um barbante fino que Zeca guardava havia semanas, enrolando tudo com cuidado até formar uma bola quase perfeita — meio torta de um lado, mas naquele jeito que só fica engraçado, nunca ruim.

Brincaram até o sol quase sumir atrás das árvores, revezando quem chutava, quem pegava, quem inventava uma regra nova. E quando a mãe de Nino chamou para o jantar, os dois já tinham combinado: a bola nova ia morar em cima de uma pedra bem no meio da clareira, para ser dos dois, sempre.

Depois de ler: perguntas para conversar com seu filho

Terminada a história, vale abrir espaço para o seu filho falar — sem pressa e sem “sermão”. Algumas perguntas que ajudam:

  • Já aconteceu de você e um amigo quererem o mesmo brinquedo ao mesmo tempo? O que rolou depois?
  • Por que você acha que Nino e Zeca ficaram tristes mesmo depois que a briga parou?
  • O que você acha mais difícil: dividir um brinquedo ou pedir desculpas primeiro?
  • Se a bola de vocês dois sumisse hoje, o que vocês poderiam inventar juntos no lugar dela?

Não existe resposta certa aqui — o objetivo é só deixar a criança nomear o que sentiu, no ritmo dela. Às vezes a conversa mais importante da noite acontece bem depois que a história já terminou.